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Seja a história que gostaria de contar

Comecei a trabalhar aos 14 anos. Tinha duas irmãs pequenas e como já era adolescente meu pensamento nessa idade era poder ter dinheiro para comprar as coisas que eu desejava e meus pais não podiam comprar. E assim fui, em 1994, para a fila do emprego numa rede de fast food.

Eles não aceitaram minha ideia e sugeriram que eu fosse trabalhar na empresa do meu avô, um escritório de contabilidade no centro do Rio. Lembro que estudava de manhã, saía da escola em Marechal Hermes e ia para lá trabalhar como recepcionista até as 18 horas. Seguir carreira na empresa parecia o mais óbvio dos caminhos.

Na época do vestibular, meu avô já falava para eu estudar ciências contábeis e eu concordei. E detestei. Continuei tentando e detestando. Achei que o problema era a instituição (olha eu culpando o outro) e insistia em algo que eu não tinha o menor interesse em aprender. Tentei 3 vezes em 3 universidades diferentes até que percebi que aquele curso não era para mim. Fiquei tão decepcionada porque eu acreditava que tinha uma dificuldade em aprender, achava que não era capaz, quando na verdade eu estava fazendo algo escolhido por outra pessoa.

Confesso que passei muitos anos da minha carreira triste e frustrada por não ter concluído faculdade, mas a ausência dela me fazia percorrer todos os cursos da área de pessoal para que eu pudesse ser a melhor profissional, afinal não existia faculdade só de departamento pessoal.

Não me recordo de me perguntarem o que eu queria ser quando crescer, as coisas aconteceram e eu me tornei aquela profissional competente fazendo tudo o que esperavam e mais um pouco.

Nunca um número tão grande de pessoas sentiu tanta insatisfação com a vida profissional e tanta incerteza de como resolver o problema

Roman Krznaric

Quando fui estudar Recursos Humanos, senti uma mistura de emoção com ansiedade. No primeiro dia de aula, eu chorei. Tinha encontrado o meu lugar e pela primeira vez, não fiz algo para realizar o sonho dos outros e sim para realizar o meu. Percebi que estudar o que gostamos é o que nos torna bons alunos e a partir desse dia, eu nunca mais duvidei de mim. Isso causou uma reviravolta na minha vida, pois eu tomei as rédeas da minha profissão. E precisava decidir o que fazer dali para frente.

Nessa época já tinha casado e 2 filhos, morava numa cidade do interior do Rio, a vida estava tranquila, poderia ficar ali vivendo, pagando as contas, cuidando da horta. Mas eu queria mais, sair daquele lugar comum e poder fazer a diferença na vida de alguém.

A partir do momento que você se propõe a fazer algo que ama, não existe limite, os seus olhos brilham, você se conecta e se entrega de tal forma que não percebe o tempo passar. Era exatamente isso que eu queria para mim. Aos poucos fui migrando do DP para o RH. Do interior para a cidade. Da casa própria para a casa alugada. De uma empresa para a outra. Até empreender.

Nunca foi tão falado sobre trabalhar no que se ama. Esse tema bate todos os dias na sua cara para que você perceba que existem trabalhos que podem e devem te fazer feliz. E você pode fazer o que quiser. Desde que você se entregue e faça com seu coração.

Mas isso não quer dizer que você tem que sair agora correndo e largar tudo e empreender. Não é sobre isso, é sobre entender o que se passa aí dentro e o motivo de tanta insatisfação. É se conhecer e permitir receber as respostas que podem surgir quando você se questionar.

E a partir dessa descoberta, aí sim, você começa a escrever uma nova história ou melhorar a que já tem. E está tudo bem.

Só não permita que outra pessoa escreva a sua história para você.

Um beijo no ♥

Ticyana Arnaud