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As relações de trabalho e emprego

Te escrevo daqui de casa após uma semana pensativa, daquelas que fazem as emoções subirem e descerem como se estivesse em uma montanha russa, geralmente acontece quando antecede o meu aniversário.

Atendendo os clientes de recolocação e mentoria de carreira percebi um assunto sempre em comum: o comportamento das pessoas em cargo de liderança após o pedido de demissão do funcionário.

Explico: todos os meus clientes estão em busca de algo novo. Alguns querem mudar de empresa e outros querem começar uma nova carreira. A maioria está trabalhando em empresas aparentemente boas, mas olhando mais perto se mostram bem tóxicas. Eles querem sair dessas empresas e me contratam para que possamos juntos, montar um plano de ação.

O mais curioso é quando esses profissionais comunicam a empresa que vão embora, uma avalanche de questionamentos e assuntos são trazidos à tona. Gestores se sentem traídos e abandonados, colocando os profissionais numa saia justa e indo mais a fundo, fazem tudo para esses profissionais se sentirem ingratos e injustos com a empresa.

Mas vamos olhar para as relações de trabalho por um outro ângulo. Você é um profissional que presta serviço a empresa, tem um contrato para garantir essa prestação e após concluir o mês de trabalho, recebe um pagamento por isso. Nessa relação, existem regras claras que protegem a empresa e o empregado, garantindo direitos e deveres de cada uma das partes. E a cláusula de rescisão de contrato de trabalho que também pode ser feita pelos dois. E é nela que mora toda a confusão que geralmente acontece quando a rescisão do contrato é feita por você.

Se a empresa faz a rescisão do contrato, ela te paga uma indenização e se você toma a iniciativa sem cumprir o aviso prévio, paga a indenização desse aviso. Até aí tudo bem.

Mas empresas se sentem donas dos funcionários, passam um longo tempo criando regras para punir ao invés de desenvolver as pessoas. Não valorizam o seu trabalho, não reconhecem, não investem e quando você decide seguir por outro caminho, agem como alguém que foi traído e o último a saber.

Já vi esse filme se repetir várias vezes. Um colega após 6 anos de serviços prestados, pediu demissão e a empresa não queria aceitar que ele não cumpriria o aviso prévio. Foi um falatório, que era um absurdo, que não iriam liberá-lo. E eu lembro de perguntar: Ué, mas ele é um prisioneiro? O direito de ir e vir está liberado desde 1988, meu caro.

Em outra ocasião, o gestor se sentindo traído, disse ao colaborador que não ia dar certo no novo emprego e iria voltar com “rabo entre as pernas”. Já soube que a pessoa jamais colocaria os pés novamente naquela empresa.

Uma mentorada minha, ao comunicar a empresa que decidiu seguir a sua carreira como empreendedora, foi chamada de corajosa e que estava trocando o “certo pelo duvidoso”. Ela passa bem e a sua empresa já é um sucesso.

A grande verdade é que são pessoas lidando com pessoas. E nas relações de trabalho também. Você faz parte de uma equipe, tem colegas, gestor e quando chega o seu momento de partir, a liderança sente. Assim como um término de namoro ou casamento, a outra parte sempre fica ofendida. Como se a pessoa que está terminando a relação fosse injusta e não desse valor ao que tinha.

Ninguém quer ser abandonado, trocado, demitido porque nos sentimos julgados e isso é ruim, mas por outro lado, é importante saber o motivo. Ouvir, respeitar e analisar a situação, perceber o que causou insatisfação, a ponto de terminar essa relação. E não atacar, como se o outro fosse o culpado. Tudo que acontece é uma oportunidade de evoluir, basta olhar com atenção, carinho e respeito.

Quando eu pedi demissão do meu primeiro emprego, estava muito insegura, com medo do incerto, mas tinha os meus motivos. Foi doloroso, eu chorei muito, mas o pedido foi acolhido e compreendido. Jamais me arrependi.

Eu não sei como está sua relação de trabalho hoje, se você pensa em sair e tem medo, se deseja trabalhar em algo novo ou apenas quer mudar de ambiente. Não carregue nenhuma culpa por querer algo melhor e não permita que coloquem essa carga pesada em você. Saiba que existe vida fora das empresas tóxicas e por mais que ela pague suas contas, você merece um lugar que te acolha, que te desenvolva e te ajude a prosperar.

O café de hoje foi extra forte, prometo que semana que vem ~com os 41 anos já completados ~ voltarei mais leve. Mas, juro, precisava muito te falar isso.

Se quiser conversar sobre a sua carreira, tomar um café, me manda uma mensagem que marcamos.

Beijo no ♥

Ticyana Arnaud

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