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Alguém como você

Jamais estive tão conectada. Acordo e já pego o meu celular, não para desligar o despertador, e sim para olhar as mensagens e o que tem de novo por aí. E eu sei que fazer isso não é o ideal, mas ainda não consegui me livrar do velho hábito.

Mas o que compartilho aqui é o quanto me abandonei e parei de ouvir meus pensamentos envolvida numa conexão exagerada. Sim, é o meu trabalho e isso sempre foi minha justificativa para tanto. Mas será que o meu retrato é de alguém que não larga o celular e não tem mais tempo para si mesma?

Caminhava todas as manhãs e aproveitava esse movimento para ouvir música, podcast ou falar no telefone. Cansei de incluir ligações no meu horário de caminhada. Até que um dia a bateria do celular acabou e eu fui obrigada a entrar em silêncio.

Milhares de pensamentos começaram a me torturar. Eram planejamentos, sentimentos e tarefas. Ao invés de simplesmente caminhar e contemplar o pouco de natureza que ainda restava nos arredores, eu seguia tentando, naquele momento, preencher um vazio que me consumia.

Precisei dar um tropeço para entender que era possível uma respiração mais atenciosa para me reconectar. Foi difícil entender que eu ainda me bastava.

No meio dessa caminhada fiquei doente, tive medo, tudo parou por aqui. E no retorno, inconscientemente, comecei a me forçar a seguir o ritmo acelerado até compreender que não era mais necessário.

Estar conectada o tempo todo não me fez tão bem. Responder imediatamente mensagens também não. Já faz dois anos que não tenho notificações no celular, mas isso não me serve de nada se ele não sai das minhas mãos. Resolvi respirar novamente e observar meu comportamento mas dessa vez sem me julgar. Eu me acolhi e me perguntei: o que é mais importante agora?

A partir desse lugar de ouvinte do meu próprio coração, me abracei e aceitei que o que é fundamental fica e o que não é, simplesmente vai. E isso mudou tudo que eu acreditava que era verdade. Minha vida se tornou mais leve e meu trabalho fluiu.

Quero que saiba que por aqui existe alguém como você. Que erra e acerta, mas que no fundo nunca deixa de tentar.

Se cuida, tá?

Beijo no ♥

Ticy