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A vontade de jogar tudo para o alto

Se antes falavam que devíamos separar a vida pessoal da profissional, hoje está tudo junto e misturado. E durante essa pandemia é mais difícil ainda conseguir traçar uma linha que separa uma coisa da outra.

Entre os intervalos de um atendimento online, eu preparo o almoço, coloco roupa para lavar, secar e passo uma vassoura na casa. Os filhos acordam, começa o rebuliço e aquele abre e fecha de porta. Se aqui já é difícil com os filhos adolescentes, imagino se você tem filhos pequenos.

Essa jornada que antes era dividida entre sair de manhã e voltar à noite, agora está presente vinte e quatro horas do seu dia. A hora de dormir parece mais um desmaio. E a insatisfação com o trabalho se tornou uma realidade. Se você já pensou em mudar de emprego, agora repensa toda a sua carreira. Você não está sozinha. Essa é uma das maiores queixas desde o início da pandemia.

Acontece que nesse momento de sobrecarga você está analisando se realmente vale a pena dedicar tanto tempo e não ter o reconhecimento ou a promoção que merece. Não te parece justo. Eu sei.

Quando estamos em uma situação de conforto, onde o trabalho não é tão legal mas paga as contas, a empresa não é uma Great Place to Work mas paga o salário em dia, o chefe é abusivo mas você ignora, na verdade mesmo, está apenas colocando uma peneira na frente do sol e deixando passar alguns raios para não se queimar tanto.

Só que agora que está em casa, trabalhando remoto, o que não parecia incomodar tanto, está crescendo a cada dia. Ter um salário pago em dia não é o suficiente, a empresa não ofereceu as melhores condições para o trabalho remoto, seu chefe passa o dia mandando mensagens no grupo cobrando a entrega.

O problema é seu, se seu filho está com dor de barriga e febre, você está em casa e dá conta. O problema é seu, se o feijão queimou e você está fazendo um miojo correndo para seu filho almoçar e você ir para a reunião. Esses problemas não chegam mais na empresa, porque você não está mais lá. Então não tem porque se atrasar ou faltar o trabalho. Você que lute.

Não vou nem entrar no mérito da quantidade de pessoas que estarão com Síndrome de Bournout quando isso acabar, se a sua empresa voltar com o trabalho presencial, porque pelo que me consta, está sendo uma economia e tanto para as empresas e muitas já estão decididas a implantarem de forma definitiva esse modelo de trabalho.

Agora é aquele momento em que você vai se lembrar daquilo que sempre quis fazer mas não teve tempo, da vontade de empreender ou de mudar de empresa. É normal e está tudo bem. É no desconforto que a gente se move. É quando a pressão aumenta que nos sentimos sufocados.

Não se assuste com as suas descobertas, eu posso te afirmar que ouvir a própria voz é um sentimento libertador. Quando conseguimos nos desprender das amarras que nos manteve até hoje nesse mesmo lugar, percebemos que a vida é um eterno movimento e podemos sim reescrever a nossa história.

Você merece.

Beijo no ♥

Ticy

Em tempo: Este texto foi escrito em Outubro de 2020 e mesmo depois de 1 ano, ainda sinto que as coisas vão demorar um tempo para mudar. O mais importante é agora você parar e ouvir um pouco o que anda sentindo aí dentro e Se perguntar: o que faço hoje é o que me faz feliz?